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Terça-feira, Agosto 28, 2007


[Gold Dust]


Eu passo os dias aguardando pelo que de melhor virá.
Pelo que mais terei, pelo que poderei usufruir, por tudo o que sentirei.
E no intervalo entre o que fui e o que serei, percebo que perdi o que passou e ignorei o que senti.
Descarto a bagagem no caminho e me preparo para o início do fim com nada nas mãos.
Com nada no peito.
Exceto a lembrança do que foi, o cheiro do amor, a imagem dos que marquei, os muros que construí e as fantasias que rasguei e a sensação de que nada de fato existiu.
Eu passo os dias aguardando pelo que de melhor virá, sabendo que o melhor está logo ali. Ali atrás, em tudo o que passou, e logo mais, no que jamais existirá.
Eu passo os dias em delírio, acenando para o nada e me agarrando no que nada foi.
Eu vivo em sonho e simplesmente passo pelos dias, aguardando a hora de acordar.

Dia 10 faço 32: cada vez mais sem idéia do que serei, mas certa de que serei sempre melhor assim.

Haze 3:00 PM
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Domingo, Agosto 19, 2007


[Deseducar]


Na claustrofóbica escada rolante, a visão do inferno: bundas, muitas bundas, grandes, feias, gordas, pedaços de gordura repletos de flatulência, suor e bactérias que cruzam felizes a grande avenida em direção ao túnel da alegria, depósitos de sedentarismo dignos de uma escada que te leva para o nada, posicionam-se involuntariamente na altura dos meus olhos, que tentam desviar de tamanho terror. Meu estômago reclama, vou vomitar. Busco o céu, fico (mais) tonta, minha cabeça reclama, vou vomitar. Menos Haze, menos. Em vinte segundos você sai daqui. Sim, vinte segundos em Plutão. Fixo meus olhos no meio-termo entre as bundas e o céu e, nesse pequeno, forçado e restrito quadro de desejos melhores para a minha caminhada rolante, eis que surge uma criatura: um bebê.
Embora um bebê e não um bumbum, não noto muita diferença. Fisicamente, um pequeno macaco de boca aberta, cor de filé - bem passado, por favor, não posso ver sangue, atrapalha o disfarce - cabelos de palha de aço e olhos de vidro. Foco nos olhos de vidro, que me olham de volta. Ou não olham, apenas passam por mim e por todo o horror que os cercam, como se quisessem absorver algo.
Em lamento, digo: se eu pudesse te ensinar, criança.
Suspiro. Ele continua imóvel, bestamente hipnotizado, uma perfeita galinha.
Continuo: você tem potencial, criança. Se eu pudesse te ensinar...
Mas ele está no colo de uma bunda, grande, gorda.. e perdida. Que sobe apenas porque a escada sobe, que vai apenas porque maria também vai com as outras, maria, aliás, a bunda mais sublime, cuja imagem é beijada e idolatrada (kiss my ass, honey), por ter parido o filho de um cara famoso e metido a perfeito, um verdadeiro bundão que sequer a comeu (deve ser o Michael Jackson).
Criança, você é filha de uma bunda perdida que vive de rituais, de acasalamento, de poder, de purificação, de prazer, com batuques primitivos e rimas pobres, regados a álcool e animais mortos que rodam em espetos, e será educada com toda essa merda que apenas uma bunda pode proporcionar. Mas não se preocupe, pois após tua passagem devastadora por esse mundo, será perdoada, salva e reconhecida no plano divino pelo teu belo, exclusivo e abençoado nome de batismo: macaco.
Sei...
Se eu pudesse te deseducar, macaco..
E quando surge a feliz idéia, os olhos de vidro fogem do esquadro, eu tropeço, como bom animal que sabe das suas limitações como bípede, e me perco da criatura curiosa.
No meio-tempo, entre os vinte segundos e a translação de Plutão, eu te encontro de novo, criança.
Para ver se te deseduco um pouco.
De nada, macaco. Me aguarde.

Haze 2:27 AM
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Sexta-feira, Agosto 10, 2007


[Ascaris lumbricoides para debilóides]


Que dia é hoje, puta que o pariu!

Hein?
HÁ!
É Teta-fêda!

Dia ótimo para uma triste constatação:

Jurema era carnívora.
Sim, eu a matei.
E depois a caguei.

Adeus Jurema, sentirei imensa saudade.
Imensa como a barriga que se formou no teu lugar.

Necessito de um verme-vegan.
Um nematodeo viciado em espinafre.
E abobrinha!
E cominho.
E logo, antes que eu exploda.


Vem, bichinho! Vem comer um docinho!

Haze 3:38 PM
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