Segunda-feira, Junho 22, 2009
[Status: Samambaia]
Os dias se arrastam. São 20 horas, em média, dormindo. Fingindo dormir.
Os olhos são convidados a fechar, mas nada acontece. Eu os obrigo a fechar e eles não obedecem. As paredes giram como se um brinquedo me embalasse no meio do quarto. Sinto nada além de calafrios agendados, náuseas e um forte desequilíbrio. Para um animal que deslizava em patins há poucos dias, a sensação não é nada agradável. Não sinto o meu corpo, apenas o seu peso, que embora perdendo massa a cada dia, está cada dia mais obeso. Meus lábios não dizem o que eu gostaria, eles mal dizem alguma coisa.
Dos sons que escuto, soa claro o que vem de dentro: agudos contínuos, um tambor em descompasso, tecidos fritando como se expostos ao pior tempo. Ao fundo, vozes, murmúrios, telefones tocando, aviões caindo, portas batendo. Uma realidade bem alheia à que estou vivendo.
Não há o que comer, não há prazer, é tudo podre, como carne, como sangue, como se eu soubesse o gosto de estar morrendo.
A cada hora, uma droga. Um cateter na veia hidratando, sufocando, mascarando, varrendo o veneno com mais veneno. Meu corpo está nas mãos de terceiros que vêm me cuidar, alguns com jeito, outros nem tanto e outros que nem sei. Estou entregue à sorte, não sei mais onde estou e nem o que posso. A verdade é que não posso. E admitir isso talvez seja, no momento, o pior dos meus tormentos.
Para um animal que controla tudo ao seu redor, não saber mais o que é o seu redor causa um desespero tremendo.
Dizem os entendidos que meus tecidos se recuperarão com o tempo. O pior passou e eu resisti. Resta-me apenas ter paciência, algo que preenche com abundância os meus poros e transborda nos raros momentos em que choro.
Haze 6:32 PM